Cheguei numa fase da minha vida que vejo que a única coisa que fiz até agora foi fugir, fugir de mim mesmo, do meu nada, e agora não tenho mais para onde ir, nem sei o que vou fazer, fui péssimo em tudo.
eu te amei
como um homem ama uma mulher que jamais tocou,
para
quem apenas
escreveu, de quem manteve algumas fotografias.
Estou com vontade, recentemente, de viajar para um lugar qualquer e distante de tudo, onde eu poderia escrever e ter um tempo de paz. Sempre tive esta vontade, mas o engraçado é que, agora, quero que você venha junto. Vamos?

Que a Sua bondade
não tenha fim

Que o Seu amor
encha todo o meu ser

Que a Sua graça
me baste todos os dias

Que eu seja alvo
da Sua eterna alegria.

Trechos do céu

Anônimo perguntou: Augusto, você é bi? Tem piercing na boca?

Não sou. Tenho não.

Anônimo perguntou: Qual o seu nome ?

Augusto.

Escrevo também para saber como foi o seu dia – se você chorou esta manhã, se você acordou um pouco mais tarde do que o costume, ou se, mais cedo, você fumou um maço inteiro tentando se acalmar e esquecer por um breve momento as confissões e as confusões do seu mundo, como de costume. Escrevo também para saber como foi a sua noite – se você conseguiu dormir e sonhar e me ver, por pouco tempo que seja, nessas imagens pensadas, nessas imagens prensadas e intocáveis, tocadas apenas pela capacidade de sonhar, mas que ao despertarem serão apenas o que são: lembranças sonhadas. Escrevo ainda para saber quais são os seus medos e a quem você assusta, quais são os seus desejos e por quem você se ajoelha, quais são suas verdades e a quem você se permite mentir. E, como se não bastasse, escrevo para saber se você me encaixa no seu tempo, mesmo sabendo que o amor é um temporal atemporal que faz chover e tremer e molhar e, mesmo assim, os esperançosos amantes conseguem enxergar – talvez pela cegueira momentânea das pequenas paixões, talvez pela esperança eterna de um dia acordarem ao lado de um grande amor – um sol quente e amarelo e belo e denso, imenso.
Capto a diferença desde tua despedida. Tentei preencher meus braços com outros corpos, mas nenhum aliviou minha ânsia ou cessou o formigar matinal que venho experimentando. Com o desígnio de transformar-te em mera lembrança, descubro-te ausência; quantas línguas navalharam-me o corpo inteiro atrás de um gozo, quantas vezes me fiz de um surto desesperado só para encontrar a parte de ti que tentei arrancar quando fomos mais que nós mesmos? Tu jamais entenderias. Como o orgulhoso que sou, diria que nada mudou. Valendo-me da analogia de que tudo é nada, isso me caberia perfeitamente. Toda a falta de ordem é reflexo das consequências que nunca aguardei.